sexta-feira, 15 de agosto de 2025

agora

Voltei a escrever. Preciso arrancar a profunda angustia dentro de mim, de todas as angustias que em mim habitam, o futuro é a maior delas. O futuro que, na verdade, não existe. O que existe é a projeção dos nossos pensamentos que anseiam aquilo que ainda não acontece. Para que inventamos o tempo se não conseguimos viver o completo hoje? Vivo o agora pensando no amanhã e não aproveito o agora porque me preocupo com o amanhã e não vivo o amanhã porque o futuro se torna o agora; é difícil entender.

Quero mudar de estado. Quero mudar de vida. O agora me agoniza e colocá-lo no futuro é impossível pois esse tal presente é inconstante. Posso morrer no agora e não viver o futuro ou posso fazer uma simples ação que o comprometa. O futuro certo é aquele que se vive pelo agora. E vivo de maneira errada. Vivo apenas para o futuro e não para o presente. Como posso viver um bom agora se só vivo para o após dele? Nunca vivi para o meu verdadeiro eu, que é o agora, e vivo para o qual não conheço, o futuro. Posso ser feliz apenas no futuro? Ou estragarei o futuro que se torna o agora querendo vivê-lo novamente?  

O equilíbrio seria a harmonia? Ou foi a definição para quem nunca conseguiu viver o verdadeiro agora? Vivo a ansiedade do amanhã, sabendo que posso viver o que acontece agora. Por que criamos o tempo se só sabemos nos basear no futuro? 

Não prometerei viver o apenas agora enquanto ainda tenho a certeza do futuro, mas não gostaria de ter a certeza do amanhã. O amanhã incerto e o certo acontece. Tique taque. Minha ansiedade apareceu e o agora já deixou de ser eu, virou passado. Vivo para quem? 

A expectativa e ansiedade que acontecem o agora e querem viver o futuro. Se o tenho hoje porque me preocuparei em ter amanhã? O amanhã existe, e para alguns é por isso que vivemos o hoje. O que me angustia é viver a função de melhorar o agora para se viver o futuro, mas o futuro também tornará agora. Para o que vivo? Para me tornar aquilo que nunca serei? Para entristecer meu agora na expectativa, que ainda possa ser irreal, de viver o incerto? 


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