Caro, leitor
Após meu primeiro post posso dizer que estou mais aliviada com a vida. Deve estar se perguntando e me julgando dramática pois é só uma mera publicação em um mero blog, mas não é só isso. Durante anos sempre procrastinei qualquer feito em minha vida, por medo e por problemas psicológicos (o TDAH mandou um beijo!), é estranho estar fazendo algo que sempre quis de alguma forma. Ter um blog não era meu sonho, mas poder me comunicar com outras pessoas e tentar me encaixar no que chamamos de mundo é um alívio.
Não se pergunte o que este site se tornará, talvez um lugar de futuras risadas do meu eu de 40 anos ou um lar para mentes perdidas como a minha. Não quero transformar este domínio da internet (que ainda não sei se adquiri) gratuito em um lugar de coaching, como se fosse a sabichona, madura e exibida com 20 anos. Quero um lugar onde posso mostrar o real, sem a vida perfeita e a cobrança de ter uma. As redes sociais fritam meu cérebro e tiram minha paz, não quero comparações ou diminuições, quero ser o meu real e leal, para isso que escrevo.
Recentemente, comecei a ler Clarice Lispector e não há comparações com todos os textos do mundo com a mente de titânio que a dela é. Pela primeira vez alguém conseguiu colocar em palavras o sentimento que é a escrita para mim. Escrever é um lar para as mentes perturbadas que desejam a paz daquilo que não conseguem falar. Quando falo meus pensamentos vão a mil, quando escrevo eles arrumam lugar para relaxar e se expressar.
Tenho muito o que melhorar na escrita, isso é óbvio. Gostaria de começar e já saber escrever metáforas tal qual como Lispector, mas não é possível. Clarice rasgava inúmeros rascunhos por não gostar daquilo que lia, imagine eu. Neste espaço quero não me cobrar tanto, uma tarefa quase impossível para minha pessoa, mas preciso mudar. A autocobrança me leva a sanidade e não posso removê-la porque é quem sou, como diria alguma psicóloga (acho eu), preciso aprender a lidar de forma saudável com os meus lados positivos e negativos.
Acabei de perceber que me perdi naquilo que escrevia enquanto digitava o agora. Ah, meu caro leitor este blog será uma série de divagações, como posso focar em uma única coisa se há milhões delas para escrever? Aqui não é uma redação do ENEM para perder 40 pontos a cada competência, aqui é paz e alivio, é o ser humano em seu profundo estado da arte expressa na forma de palavras. Quero ser livre como o lápis que escreve em uma folha de papel vazia.
O sentimento de liberdade que tanto anseio sinto que pode ser alcançado através das palavras. Minha mente perturba a cada passo que tento dar para essa suposta liberdade, colocando a ansiedade de todas as forma em quem só quer ser livre. Minha ansiedade e autocobrança levam de mim aquilo que aspiro. Posso até relaxar, mas o medo persiste e agoniza até o último fio de esperança do que poderia ser alcançado.
Não tenho vergonha do meu blog. Afirmação diária a partir de hoje. Não tenho vergonha de ser quem sou e de quem quero ser. Tenho que me envergonhar daquilo que não consegui ser por vergonha, mas não me cobrar por um processo lento de aprendizagem. Começar a escrever aqui é um grande passo que espero não abandonar. Por um momento, não irei me identificar, ou melhor, me identificarei da maneira que sempre sonhei quando queria ser escritora: minhas iniciais.
Termino esse post por aqui, está acontecendo uma festa junina acho, vou chamar minha mãe.
Um beijo,
LTS
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