Para começar a escrever é porque estou me sentindo sozinha. Sozinha não, acompanhada da vasta extensão de pensamentos que percorrem minha mente. Como é difícil lidar com a solidão do seu redor e ser obrigada a viver com a companhia da própria mente.
A solitude é minha parceira há anos. Quando adolescente, tinha amigos para quem podia enviar dezenas de mensagens, mas depois fui parando o ritmo. Crescer é perceber que a única pessoa quem tem tempo para você, é você mesmo. Acho que todos ao meu redor possuem alguém que os ajudam a se equilibrar quando tudo parece em desequilíbrio. A comparação me fere mais do que a solidão. Até hoje, nunca descobri se quero ser feliz com o que tenho ou se só vou ser feliz quando for igual ao outro.
Gostaria de viver a verdade da alma. Aquela que me chama de canto e diz que está tudo bem. Parece que vivo aos outros, procurando mostrar o quão sou. O quanto sou se não sou ninguém. Preciso me tornar pura da alma para viver a pura verdade. O sentimento de purificação não é estragado pelo carnal, mas sim pelo o de viver ao olhar do outro. Viver o que gosto não é castigo, mas preciso viver ao outro para mostrar que consigo.
A escrita me ampara, ela me invade a alma. As palavras trazem a totalidade do meu ser e purificam o que resta. "Quero escrever o movimento puro", diz Lispector. Quero parafrasear o profundo sentimento, aquele que é proibido de ser mostrado e censurado de ser sentido. A profundidade é criticada por aqueles que não sabem senti-la ou quando sentem se perdem na tamanha euforia.
Escrevo o que sinto no momento. Depressiva ou não, as palavras me acolhem. Sozinha ou vivendo a solitude, preencho essa folha digital com o que é meu e não pode ser roubado.
A imensidão que quero viver foi roubada daqueles que não a vivem. Vou me mudar de estado e sumir, quem sabe vivo finalmente a mim. Não posso esperar o futuro, preciso viver o agora.
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