quinta-feira, 21 de agosto de 2025

a voz do subconsciente

Aqui escrevo para mim mesma. Para a voz que atormenta minha mente e entristece meus dias. O que se fazer quando o maior problema é você? Sinto que é outra parte de mim, meu oculto pessoal. Ela tem pensamentos próprios e, no fundo, se odeia. 

Essa voz é meu subconsciente que age mais em primeiro plano do que a consciência em si. Ela desfaz meus planos, não acredita das minhas capacidades e não sabe meu valor. Ela me diminui a cada tentativa e me menospreza a cada erro. 

Ela não tem aparência física ou qualquer característica. Ela é o mal que vive dentro de mim. Ela me compara, me distorce e se torna mais forte. Sua alimentação vem da minha tristeza, das profundas lágrimas que percorrem meu rosto quando ela percebe que conseguiu mais uma vez: me desmerecer a ponto de eu querer me desviver. 

Gostaria de poder me afastar, mas não posso. Não há como desligar ela da minha cabeça. Ela é a junção de tudo.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

poesia em texto:

 Penso se escrevo poesia ou um texto. Não tenho talento para contar as poucas palavras em uma linha e rima-las. Não consigo colocar o imenso que sinto em tão pouco. Agora sinto sono e cansaço, já passou do horário de escrever, mas não consigo me conter, a escrita me chama e me acolhe a alma que não está perturbada, mas que precisa de paz. 

Não quero tirar peso hoje, quero respirar. Respiro profundamente enquanto digito e me acalmo enquanto transcrevo o que se passa pela minha mente. Aqui não há filtro, aqui há verdade que percorre em meu interior inquieto. 

Faço do pensamento meu amigo e da escrita minha aliada. Penso e falo de jeito natural  e sincero, mas quando chego aqui me transformo. A transformação poética que traz o eu lírico em êxtase. Não posso escrever igual penso, seria vulgar estragar a beleza do que se pode ler das palavras com algo tão raso. 

Não me coloco como profunda, mas na escrita não me defino como rasa. Decerto, não sou a pessoa mais profunda que conhece, não tenho gostos e coisas (odeio essa palavra) favoritas. Sou o que chamo de "sem personalidade", mas guardo a minha profundidade para mim, ao meu anônimo que nem ao menos eu conheço. 

O fato de não me conhecer me incomoda. Não engole minha consciência, mas devora partes do meu dia, penso nisso constantemente. Gosto da moda popular que não me diferencia de ninguém. Esse é o problema, aos outros ter personalidade é ser diferente dos demais, quando na verdade, é somente nossos trejeitos, manias. Gostos não definem nada. A autenticidade deve ser alcançada como ser o seu verdadeiro ser, mas as pessoas confundem com vestir uma roupa diferente da maioria.

Perco a inspiração quando percebo que estou sendo tomada por sentimentos confusos. A escrita dialoga com o que sinto, por isso não escrevo no momento que estou sentindo. Para dialogar é preciso clareza. 

Paro por aqui. Não há mais o que dialogar.

sábado, 16 de agosto de 2025

- Quero escrever o movimento puro

 Para começar a escrever é porque estou me sentindo sozinha. Sozinha não, acompanhada da vasta extensão de pensamentos que percorrem minha mente. Como é difícil lidar com a solidão do seu redor e ser obrigada a viver com a companhia da própria mente. 

A solitude é minha parceira há anos. Quando adolescente, tinha amigos para quem podia enviar dezenas de mensagens, mas depois fui parando o ritmo. Crescer é perceber que a única pessoa quem tem tempo para você, é você mesmo. Acho que todos ao meu redor possuem alguém que os ajudam a se equilibrar quando tudo parece em desequilíbrio. A comparação me fere mais do que a solidão. Até hoje, nunca descobri se quero ser feliz com o que tenho ou se só vou ser feliz quando for igual ao outro. 

Gostaria de viver a verdade da alma. Aquela que me chama de canto e diz que está tudo bem. Parece que vivo aos outros, procurando mostrar o quão sou. O quanto sou se não sou ninguém. Preciso me tornar pura da alma para viver a pura verdade. O sentimento de purificação não é estragado pelo carnal, mas sim pelo o de viver ao olhar do outro. Viver o que gosto não é castigo, mas preciso viver ao outro para mostrar que consigo. 

A escrita me ampara, ela me invade a alma. As palavras trazem a totalidade do meu ser e purificam o que resta. "Quero escrever o movimento puro", diz Lispector. Quero parafrasear o profundo sentimento, aquele que é proibido de ser mostrado e censurado de ser sentido. A profundidade é criticada por aqueles que não sabem senti-la ou quando sentem se perdem na tamanha euforia. 

Escrevo o que sinto no momento. Depressiva ou não, as palavras me acolhem. Sozinha ou vivendo a solitude, preencho essa folha digital com o que é meu e não pode ser roubado. 

A imensidão que quero viver foi roubada daqueles que não a vivem. Vou me mudar de estado e sumir, quem sabe vivo finalmente a mim. Não posso esperar o futuro, preciso viver o agora. 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

surto da alma

 Eu sou controlada pelo medo. Medo que nasce em minha alma e se transforma em ansiedade que sai do meu corpo. A pele que está vermelha de tanto coçar e a cabeça que está pesada de tanto pensar. Poderia trazer conectivos para melhorar a leitura, mas é assim que a ansiedade e o medo agem: de tópico em tópico sem alguma conexão com o pensamento sensato. Gostaria de poder escrever sem o medo do futuro, mas como posso me tornar alguém se não sei quem sou. 

Há poesia no mais insensatos dos pensamentos. Tem-se beleza no mais profundos surtos da alma. 

agora

Voltei a escrever. Preciso arrancar a profunda angustia dentro de mim, de todas as angustias que em mim habitam, o futuro é a maior delas. O futuro que, na verdade, não existe. O que existe é a projeção dos nossos pensamentos que anseiam aquilo que ainda não acontece. Para que inventamos o tempo se não conseguimos viver o completo hoje? Vivo o agora pensando no amanhã e não aproveito o agora porque me preocupo com o amanhã e não vivo o amanhã porque o futuro se torna o agora; é difícil entender.

Quero mudar de estado. Quero mudar de vida. O agora me agoniza e colocá-lo no futuro é impossível pois esse tal presente é inconstante. Posso morrer no agora e não viver o futuro ou posso fazer uma simples ação que o comprometa. O futuro certo é aquele que se vive pelo agora. E vivo de maneira errada. Vivo apenas para o futuro e não para o presente. Como posso viver um bom agora se só vivo para o após dele? Nunca vivi para o meu verdadeiro eu, que é o agora, e vivo para o qual não conheço, o futuro. Posso ser feliz apenas no futuro? Ou estragarei o futuro que se torna o agora querendo vivê-lo novamente?  

O equilíbrio seria a harmonia? Ou foi a definição para quem nunca conseguiu viver o verdadeiro agora? Vivo a ansiedade do amanhã, sabendo que posso viver o que acontece agora. Por que criamos o tempo se só sabemos nos basear no futuro? 

Não prometerei viver o apenas agora enquanto ainda tenho a certeza do futuro, mas não gostaria de ter a certeza do amanhã. O amanhã incerto e o certo acontece. Tique taque. Minha ansiedade apareceu e o agora já deixou de ser eu, virou passado. Vivo para quem? 

A expectativa e ansiedade que acontecem o agora e querem viver o futuro. Se o tenho hoje porque me preocuparei em ter amanhã? O amanhã existe, e para alguns é por isso que vivemos o hoje. O que me angustia é viver a função de melhorar o agora para se viver o futuro, mas o futuro também tornará agora. Para o que vivo? Para me tornar aquilo que nunca serei? Para entristecer meu agora na expectativa, que ainda possa ser irreal, de viver o incerto? 


faço-me dos seres

 Agora faço o eco em minha mente, as palavras não foram embora, mas a fonte para suas inspirações sim. Comunico-me profundamente através da ...