Agora faço o eco em minha mente, as palavras não foram embora, mas a fonte para suas inspirações sim. Comunico-me profundamente através da escrita, caro leitor, mas devo dizer que ainda não sei como escrever quando estou feliz. A tal felicidade é passageira à sanidade momentânea. Não me sinto triste, mas não sei quando a maré mudará e tal felicidade se passar. As águas são de março, mas as lágrimas são de uma vida inteira.
O sofrimento alheio nem sempre me consome, prefiro viver minha própria vida. Não sei mais sobre o que estou escrevendo, falo sobre o sofrimento mesmo quando não o sinto. Que tipo de escritora sou? Faço-me, renovo-me. De tanto pensar não sei quem sou, será que um dia saberemos quem somos? Do que é feita esta alma confusa que em meu corpo habita?
Sei que faço-me da escrita e do profundo sentido das palavras, as dramatizo conforme o que sinto e sou aquilo que escrevo. Mas será que existe outra eu além de mim? Fico confusa pois me comparo a quem aparenta ser quem já é. Estamos todos presos e confusos em uma espiral infinita de 'seres'.
Sinto-me completa e feliz agora enquanto escrevo. A liberdade é esta.