sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

faço-me dos seres

 Agora faço o eco em minha mente, as palavras não foram embora, mas a fonte para suas inspirações sim. Comunico-me profundamente através da escrita, caro leitor, mas devo dizer que ainda não sei como escrever quando estou feliz. A tal felicidade é passageira à sanidade momentânea. Não me sinto triste, mas não sei quando a maré mudará e tal felicidade se passar. As águas são de março, mas as lágrimas são de uma vida inteira. 

O sofrimento alheio nem sempre me consome, prefiro viver minha própria vida. Não sei mais sobre o que estou escrevendo, falo sobre o sofrimento mesmo quando não o sinto. Que tipo de escritora sou? Faço-me, renovo-me. De tanto pensar não sei quem sou, será que um dia saberemos quem somos? Do que é feita esta alma confusa que em meu corpo habita?

Sei que faço-me da escrita e do profundo sentido das palavras, as dramatizo conforme o que sinto e sou aquilo que escrevo. Mas será que existe outra eu além de mim? Fico confusa pois me comparo a quem aparenta ser quem já é. Estamos todos presos e confusos em uma espiral infinita de 'seres'. 

Sinto-me completa e feliz agora enquanto escrevo. A liberdade é esta. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

 Volto a escrever após dias afastada, as palavras esmagam meu crânio e tentam sair para se aliviarem. A tristeza adquire forma de névoa em minha cabeça e luto diariamente pelo respingo da felicidade. Não se engane caro leitor, não estou doente da tristeza, ainda consigo disfarçá-la, mas o interior torna-se cada vez mais vazio e possuidor da mesma.

Penso em consultar um médico, mas sou ignorante a medicamentos. Entendo que funcionam, mas não consigo entender como posso colocar tanta toxina em meu corpo. Por que não consigo ser mais feliz como antigamente? Onde está a vontade e o desejo de estar viva?

Não penso em me desviver, mas tampouco penso em viver. O futuro mais próximo que consigo imaginar é aquele que termino o mais rápido as obrigações para voltar ao meu mundo. 

O que é o meu mundo? Ele não é triste, mas também não é engraçado. Rio sozinha e vivo assim também, mas não me faz feliz. Não sou uma depressiva pacata, ainda converso e penso bobagens, apenas não sinto mais nada.

Vivo diariamente personagens quem cansam minha mente. É cansativo se tornar outra para cada situação e se cobrar achando que está se reinventando errado. Às vezes sinto que a minha verdadeira identidade desaparece enquanto tento construir caminhos para aliviar aos outros de quem realmente sou.

Não tenho vergonha de quem sou, pelo o contrário, prefiro ela. Mas, em determinados ambientes o meu eu não é bem-vindo tão abertamente. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

 Aqui agora escrevo em minha solitude paga. Estou em meu trabalho e sozinha, como uma loba que não anda em alcateia, mas que segue solitária em seu rumo. 

Ainda me sinto, caro leitor. Tenho a tristeza instalada em minha alma que se modifica conforme as pessoas passam. Ela assume outra forma, mas ainda persiste em mim. Ela é gás que coloco em diferentes recipientes para não perceberem sua existência. Eu a tranco para ninguém inalar sua dor e a liberto quando enfim estou sozinha. 

Não gosto de senti-la, mas não sei assumir que ela existe. Estou triste, caro leitor, e não é a leitura que cura minha alma desta vez. Respiro como se não houvesse ar, mas a verdade é que não há felicidade em respirar. 

Ainda não me afasto daquele que amo, mas me coloco à frente de álcool para vê-los. Álcool não é minha cura, mas é a liberdade. A leveza de existir sob o efeito da bebida é a melhor da existência. 

Sinto-me cansada de existir. Tenho aquilo que sonham, mas não me sinto feliz. O que é a felicidade em um instante já existida e agora evaporada pela sugação da vida? 



vivo o nublado

 Agora me faço nova e o velho já não me convém. Quem diria, caro leitor, que vivo uma nova vida que é o presente e não o futuro. Não minto, tenho a felicidade em minhas mãos, mas ainda não sei como segurá-la. Vivo como um dia cinza e nublado em São Paulo, que embora pareça ser difícil, não há lágrimas para chover. 

Sinto-me irrefletida com tamanhos sentimentos que percorrem meu corpo. Por mais estes serem muitos não os sinto, apenas a tamanha antipatia e a falta de carisma em viver.

A felicidade está em minha áurea e me circula com novas conquistas, me sinto ávida por tê-la. 

Escreverei sobre minhas recentes leituras, minha grande aliada no quesito de sentir felicidade em romance. Vivo-os na imaginação agora que penso que o Ser superior os tirou de mim. Ler, caro leitor, muda minha forma de escrever, como antes escrevia tal qual Lispector hoje me faço Bronte (sem a caligrafia correta, pois não há nos teclados brasileiros). 

Ah, como gosto da leitura! A indescritível mudança de cenários e mundos que causa em minha mente. Nada melhor que um romance clássico sem expectativas de um final feliz. Enquanto leio penso até em meu livro! Nunca fui uma grande galanteadora e tampouco galanteada de tal forma, mas já vivi o suficiente para imaginá-lo. 

Caso esteja se perguntando caro leitor, sim já amei. Mas isso pouca importa agora, escreverei a ideia para meu livro: romance entre amigos

sábado, 1 de novembro de 2025

 Após um mês volto aqui. Ao refúgio dos pensamentos perturbadores. Irei escrever felicidade hoje, chega de construções triste e pensamentos depressivos. Inicia-se aqui uma nova fase. 

Mudo do lugar que me fere, não consigo chorar, mas consigo sentir gratidão. Há um ano era outra e hoje me renovo. Tenho o mundo a percorrer e textos a escrever. Quem será que sou eu agora? 

Penso naquilo que queria há três meses. Se ainda amo ou não perco o tempo para descobrir. Preciso mudar, me desconstruir. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

liberdade trapaceada

 Quero ser livre. Quero me desprender da forma. Quero desmantelar e recriar a forma em que vivo. Não quero viver pelo corpo perfeito, quero viver pela verdade que me consome por não ser vivida. 

Se faz mal? Patife. Se esta palavra não existir, agora passará. Patife viver tentando caber aonde não pode ser assado. Patife tirar os próprios pedaços para alimentar o buraco que você mesmo causa. Ele não é alimentado pela triste mentira disfarçada de realidade. Alimenta-se da verdade que se há medo de ser vivida. 

Se tenho medo de engordar e não caber mais na forma pré estabelecida então significa que sou a forma? Sou o molde todos? Quero fazer meu próprio molde. Quero criá-lo e decorá-lo e vivê-lo. 

Vivê-lo. Viver. É isto que quero. Quero encher meu corpo de vida que só posso viver pela verdade. A verdade é o oposto do seu significado pois vive escondida na mentira que achamos pertencer. 

Quero a vida das roupas bonitas e confortáveis. Quero viver alheia do julgamento. Se não posso controlá-lo, quero ignorá-lo. Quero viver a gordura que os amedrontam.

Escrevo a verdade, mas não a vivo. Quero vivê-la, mas não consigo.

Quem sou se não a verdade? Vivo a trapaça da mente que foge da alma? A alma um dia será revelada, caso for, será vivida? 

Deixe-me viver. Deixe-me ser. 



quinta-feira, 21 de agosto de 2025

a voz do subconsciente

Aqui escrevo para mim mesma. Para a voz que atormenta minha mente e entristece meus dias. O que se fazer quando o maior problema é você? Sinto que é outra parte de mim, meu oculto pessoal. Ela tem pensamentos próprios e, no fundo, se odeia. 

Essa voz é meu subconsciente que age mais em primeiro plano do que a consciência em si. Ela desfaz meus planos, não acredita das minhas capacidades e não sabe meu valor. Ela me diminui a cada tentativa e me menospreza a cada erro. 

Ela não tem aparência física ou qualquer característica. Ela é o mal que vive dentro de mim. Ela me compara, me distorce e se torna mais forte. Sua alimentação vem da minha tristeza, das profundas lágrimas que percorrem meu rosto quando ela percebe que conseguiu mais uma vez: me desmerecer a ponto de eu querer me desviver. 

Gostaria de poder me afastar, mas não posso. Não há como desligar ela da minha cabeça. Ela é a junção de tudo.  

faço-me dos seres

 Agora faço o eco em minha mente, as palavras não foram embora, mas a fonte para suas inspirações sim. Comunico-me profundamente através da ...