Volto a escrever após dias calada em minha própria espiral existencial. Não havia inspiração para encontrar as palavras que denotassem o sentido daquilo que vivia. Não procuro escrever textos prazerosamente estéticos e de ótima leitura, a beleza das palavras que me encontram, não o contrário.
Não escrevo apenas para expectorar a raiva que há dentro de mim. Escrevo pela beleza daquilo que pode se ler.
Hoje e amanhã estarei de cama devido ao meu atestado. Não vou relatar o que de fato sinto, talvez deixe um rascunho e publique-o quando não estiver mais trabalhando.
Disseram-me que gosto de me isolar e gosto mesmo. Nada é mais prazeroso do que o próprio espaço para ser o seu ser. Não minto quem sou para as pessoas, mas a solidão me transforma em alguém diferente. Não há sensação mais prazerosa do que a de mergulhar no profundo da alma enquanto se respira o externo. A solidão me ajuda a combater a imensidão de pensamentos e modus operando que vivo ao redor dos outros. Não há régua para se medir o cansaço que é se podar de quem você é.
Não tenho relatos tristes para hoje, apenas a profunda autocobrança que aflige tudo que vivo. Talvez seja procrastinação ou talvez esteja doente. Gostaria de mudar quase tudo em mim. A dificuldade de iniciar o novo é extrema e me anseia, do pior modo, todos os dias.
Talvez, caro leitor, você me ache demasiadamente dramática, mas é assim que sou: intensa. Gosto da intensidade dos sentimentos que não demonstro nem ao meu eu mais íntimo. Gosto de sentir aquilo que me tira o ar e me faz querer gritar. Aprecio a imensidão daquilo que podemos chegar através do sentimento, como podemos ser intensos em uma simples frase. Quero viver a liberdade da intensidade, não quero me podar. Leio e escuto artistas que vivem esta vida. Essa que tenho medo de viver por ter medo de ser e quem sou.
Aqui assumo: não sou sábia e experiente o suficiente para colocar em palavras e construir sentenças daquilo que sinto por meus artistas favoritos. Quero viver a imensidão e intensidade daqueles que conseguem colocar através da arte aquilo que são.
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