sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

 Aqui agora escrevo em minha solitude paga. Estou em meu trabalho e sozinha, como uma loba que não anda em alcateia, mas que segue solitária em seu rumo. 

Ainda me sinto, caro leitor. Tenho a tristeza instalada em minha alma que se modifica conforme as pessoas passam. Ela assume outra forma, mas ainda persiste em mim. Ela é gás que coloco em diferentes recipientes para não perceberem sua existência. Eu a tranco para ninguém inalar sua dor e a liberto quando enfim estou sozinha. 

Não gosto de senti-la, mas não sei assumir que ela existe. Estou triste, caro leitor, e não é a leitura que cura minha alma desta vez. Respiro como se não houvesse ar, mas a verdade é que não há felicidade em respirar. 

Ainda não me afasto daquele que amo, mas me coloco à frente de álcool para vê-los. Álcool não é minha cura, mas é a liberdade. A leveza de existir sob o efeito da bebida é a melhor da existência. 

Sinto-me cansada de existir. Tenho aquilo que sonham, mas não me sinto feliz. O que é a felicidade em um instante já existida e agora evaporada pela sugação da vida? 



vivo o nublado

 Agora me faço nova e o velho já não me convém. Quem diria, caro leitor, que vivo uma nova vida que é o presente e não o futuro. Não minto, tenho a felicidade em minhas mãos, mas ainda não sei como segurá-la. Vivo como um dia cinza e nublado em São Paulo, que embora pareça ser difícil, não há lágrimas para chover. 

Sinto-me irrefletida com tamanhos sentimentos que percorrem meu corpo. Por mais estes serem muitos não os sinto, apenas a tamanha antipatia e a falta de carisma em viver.

A felicidade está em minha áurea e me circula com novas conquistas, me sinto ávida por tê-la. 

Escreverei sobre minhas recentes leituras, minha grande aliada no quesito de sentir felicidade em romance. Vivo-os na imaginação agora que penso que o Ser superior os tirou de mim. Ler, caro leitor, muda minha forma de escrever, como antes escrevia tal qual Lispector hoje me faço Bronte (sem a caligrafia correta, pois não há nos teclados brasileiros). 

Ah, como gosto da leitura! A indescritível mudança de cenários e mundos que causa em minha mente. Nada melhor que um romance clássico sem expectativas de um final feliz. Enquanto leio penso até em meu livro! Nunca fui uma grande galanteadora e tampouco galanteada de tal forma, mas já vivi o suficiente para imaginá-lo. 

Caso esteja se perguntando caro leitor, sim já amei. Mas isso pouca importa agora, escreverei a ideia para meu livro: romance entre amigos

faço-me dos seres

 Agora faço o eco em minha mente, as palavras não foram embora, mas a fonte para suas inspirações sim. Comunico-me profundamente através da ...