Aqui agora escrevo em minha solitude paga. Estou em meu trabalho e sozinha, como uma loba que não anda em alcateia, mas que segue solitária em seu rumo.
Ainda me sinto, caro leitor. Tenho a tristeza instalada em minha alma que se modifica conforme as pessoas passam. Ela assume outra forma, mas ainda persiste em mim. Ela é gás que coloco em diferentes recipientes para não perceberem sua existência. Eu a tranco para ninguém inalar sua dor e a liberto quando enfim estou sozinha.
Não gosto de senti-la, mas não sei assumir que ela existe. Estou triste, caro leitor, e não é a leitura que cura minha alma desta vez. Respiro como se não houvesse ar, mas a verdade é que não há felicidade em respirar.
Ainda não me afasto daquele que amo, mas me coloco à frente de álcool para vê-los. Álcool não é minha cura, mas é a liberdade. A leveza de existir sob o efeito da bebida é a melhor da existência.
Sinto-me cansada de existir. Tenho aquilo que sonham, mas não me sinto feliz. O que é a felicidade em um instante já existida e agora evaporada pela sugação da vida?