Volto a escrever após dias afastada, as palavras esmagam meu crânio e tentam sair para se aliviarem. A tristeza adquire forma de névoa em minha cabeça e luto diariamente pelo respingo da felicidade. Não se engane caro leitor, não estou doente da tristeza, ainda consigo disfarçá-la, mas o interior torna-se cada vez mais vazio e possuidor da mesma.
Penso em consultar um médico, mas sou ignorante a medicamentos. Entendo que funcionam, mas não consigo entender como posso colocar tanta toxina em meu corpo. Por que não consigo ser mais feliz como antigamente? Onde está a vontade e o desejo de estar viva?
Não penso em me desviver, mas tampouco penso em viver. O futuro mais próximo que consigo imaginar é aquele que termino o mais rápido as obrigações para voltar ao meu mundo.
O que é o meu mundo? Ele não é triste, mas também não é engraçado. Rio sozinha e vivo assim também, mas não me faz feliz. Não sou uma depressiva pacata, ainda converso e penso bobagens, apenas não sinto mais nada.
Vivo diariamente personagens quem cansam minha mente. É cansativo se tornar outra para cada situação e se cobrar achando que está se reinventando errado. Às vezes sinto que a minha verdadeira identidade desaparece enquanto tento construir caminhos para aliviar aos outros de quem realmente sou.
Não tenho vergonha de quem sou, pelo o contrário, prefiro ela. Mas, em determinados ambientes o meu eu não é bem-vindo tão abertamente.